A evolução das paletas mexicanas
Pra mim, as paletas mexicanas são um enorme mistério de marketing. De repente surgiram e, em cada quarteirão da cidade, você esbarra com garotas e garotos, metidos em sombreros, transacionando os tais gelados à Frida Kahlo. Quem teria importado o modismo? Por que prefere-se tais gelados chicanos aos tablitos da vida?
Ninguém sabe responder. Comprei um pra ver se descobria algo novo e, a mim, não passou grande diferenciação. Talvez sejam um pouco maiores e massudos que os picolés de limão que eu bicava regularmente. Mas continuam sendo picolés. Não justificaria tanta comoção em torno deles.
Outro dia, saboreando uma paleta de frutas vermelhas e notando tanto sucesso em redor daquele palito, ocorreu-me um negócio gastronômico lucrativo. Como tenho espírito empreendedor já comecei a fazer dezenas de contatos internacionais e, em breve, abrirei a primeira rede de entomofagia mexicana no Brasil. Quero surfar na onda dos sorvetes, claro, só que fazendo o público aprender a degustar algo mais desafiador: insetos.
Ok, concordo que talvez possa ser um pouco ousado. Mas alimentar-se com aquelas espumas e gelatinas quentes do Ferran Adrià, a peso de euro, todo mundo quer, por que não experimentariam larvas e grilos num ambiente acolhedor, com toques astecas?